segunda-feira, julho 13, 2026
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Quem vai financiar a saúde em África “apõs a nova doutrina de Trump” e quais os desafios para o continente?

Estas foram duas questões fundamentais que a Rede de Media Africanos para a Promoção da Saúde e do Ambiente (REMAPSEN) colocou aos especialistas num webinar realizado dia 4 de Junho sob tema “Nova geopolítica sanitária mundial: quais os desafios para a África”. O objectivo deste encontro online de mais de 7 dezenas de jornalistas de 30 países visa examinar as mudanças na governação sanitária mundial e as suas repercussões no continente. A preocupação se deve ao facto do novo Presidente americano ter aplicado restrições ao sector de saúde.

Na nota introdutória do webinaire, o Presidxente da REMAPSEN, o ivoiriense, Youssuf Bamba lembrou aos jornalistas o papel que cada jornalista e países membro da rede pode jogar para diminuir o infortúnio ligado a saúde e ambiente nos nossos países.

No caso em concreto, os jornalistas destacaram vários desafios importantes para a África, nomeadamente a soberania sanitária, o acesso a vacinas e medicamentos essenciais, o financiamento dos sistemas de saúde e o lugar do continente nas negociações internacionais.

As discussões também evidenciaram as fragilidades da arquitetura sanitária mundial, num contexto marcado pelo retrocesso do multilateralismo e pela retirada de alguns Estados de instituições internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A professora associada da Universidade Paris Panthéon-Sorbonne, Stéphanie Tchiombiano, destacou que o desengajamento de Estados importantes enfraquece a eficácia do multilateralismo. Por sua vez, a directora regional dos programas da Amref Health Africa para a África Ocidental, Ida Rose Ndione, defendeu o reforço das capacidades de saúde e da autonomia estratégica dos países africanos.

Stéphanie afirmou que a nova doutrina americana desde o regresso do presidente Donald Trump à Casa Branca abalou o multilateralismo no domínio da saúde, com a redução drástica do apoio orçamental dos Estados Unidos da América à Organização Mundial da Saúde, ao Fundo Mundial e à Gavi, com corolários nas populações do Terceiro Mundo tanto ao nível da prevenção como da gestão de epidemias e mesmo pandemias.

Eles são criticados por favorecerem a China na pesquisa e no compartilhamento de dados sobre patologias.

O mesmo se aplica à compra de produtos farmacêuticos dos EUA, que também se tornaram obrigatórios.  A este respeito, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, tinha mesmo falado de apartheid vacinal.

Perante esta política de America First, os países africanos estão a reorganizar-se e a estreitar a união, exigindo doravante a garantia do seu acesso livre aos resultados das pesquisas e aos medicamentos antes de qualquer partilha dos seus dados sobre as patologias.

Além disso, Tchiombiano considerou que a diretiva da CEDEAO, que convida os países membros a dedicar pelo menos 15% do seu orçamento à saúde, é uma excelente iniciativa, mesmo que apenas três países na África Ocidental a cumram.

Quem também falou foi Ndione recordou que o peso da cobertura sanitária recai sobre os lares africanos em mais de 50%, enquanto a contribuição dos parceiros é apenas de cerca de 24% e a dos poderes públicos em África é avaliada em 21%.

A cobertura universal de saúde, que é considerada pela maioria dos poderes públicos em África, é uma solução adequada, assim como a mutualização da compra de medicamentos em África, tendo em conta o tamanho e o número de populações de alguns países que poderiam associar-se à Nigéria para compras conjuntas de medicamentos.

Enquanto se aguarda a efetivação destas iniciativas endógenas, a dependência da ajuda internacional em matéria de vacinas impõe-se com acuidade em África, como tal.

Importa destacar que, para o ano 2026, o Fórum dos Media em outubro de 2026 será no Gana com o objectivo de “reforçar a contribuição dos media africanos para os debates internacionais sobre saúde”.

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