A suposta tentativa de subornar um dos militares da missão militar da CEDEAO que esteve no país entre os dias 19 a 23 de Junho corrente, continua a dividir a opinião pública nacional e internacional. Três versões já foram conhecidas, mas ainda não foi conhecida a versão da própria CEDEAO, muito menos da missão militar. No dia 24 de Junho circulou nas redes sociais, uma suposta reacção da missão militar da CEDEAO, mas a autenticidade do documento acentuou a divisão que já se vivia há muito. A postura silenciosa destas duas entidades por mais de três dias, para além de manter o debate acesso, aumenta as suspeitas sobre o que alegadamente terá acontecido, uma vez que serviria para matar o debate, ou envoluí-lo para dimensão mais oficial. Enquanto isso não acontece, as versões a volta do assunto multiplicam-se.
Enquanto isso não acontece, as versões a volta do assunto multiplicam-se. A RDP África, órgão de Comunicação Social que fez noticiou em primeira mão o assunto, citando fontes credíveis mantém a sua notícia. Na mesma, admitiu, sem citar nomes ter contactado fontes governamentais sem sucesso. Na réplica, após algumas reacções, a RDP África fez saber que, jamais desmentioria a sua notícia.
Do lado do poder instalado, as reacções foram várias e imediatas, mas destaque para o Conselho Nacional de Transição (CNT) que, para além de desmentir a notícia na qual não é citada, avança com as acusações à CPLP, em como estará a instrumentalizar o processo de trransição. A terceira versão estranha e vazia, foi a versão do Hotel na qual a missão militar da CEDEAO estava alojada.
Em comunicado, a administração do Bissau Hotel Royal alega ter acompanhado às informações por redes sociais e diz que, oficialmente não disponibilizou qiualquer imagem de vídeo vigilância do hotel para efeitos da peritagem e nem algum dos seus colaboradores o fez.
Um pormenor intrigante no imbróglio é do Governo. Que, mesmo desmentindo a notícia, há quem nos seus hostes admite a hipótese de uma Comissão de Inquérito para apurar a veracidade dos factos ou responsabilizar os autores da notícia. Esta hipótse arriscar a ser um fiiasco, porque a notícia da RDP África só fala em fontes credíveis, indicando que, terá sido um dos colaboradores da Primatura a entrar com a mala para o Hotel. Aliás, uma parte da notícia, sem especificar cita serviços protocolares da Primatura, o que alegadamente estará na possibilidade de investigação do Governo.
Apesar de todas essas reacções e hipóteses, a falta de uma delas está a intrigar e a alimentar o debate. A missão militar da CEDEAO que foi citada na notícia como aquela que denunciou o caso, ainda não pronunciou sobre a matéria. A rigidez das regras militares e a gravidade da denúncia, são elementos que, na perspectiva de muitos forçariam uma intervenção mais célere para matar o caso.
O silêncio da missão militar da CEDEAO está a ser interpretado por certos sectores como “um consentimento de quem cala” e há mesmo quem admite a possibilidade da notícia corresponder a verdade, por causa desta postura. Os defensores dessa hipótese não têm dúvidas que, não correspondesse a verdade, há muito que a CEDEAO teria um posicionamento
Aliás, das entidades que desmentiram a notícia, nenhuma delas citou a missão militar como quem terá negado alguma tentativa de suborno, apesar de todas elas terem acesso a mesma. A administração do Hotel, por exemplo, para dar mais credibilidade a sua nota, podia recorrer ao Chefe da Missão para apurar a veracidade dos factos.
O CNT na sua conflituosa reacção, não fez questão de obter alguma versão das entidades nacionais que reuniram com a missão militar nomeadamente, O Presidente de Transição Horta Inta-a e o Chefe de Estado-maior das FA, Tomás Djassi, para saber se o assunto lhes foi denunciado. Citar estas duas figuras como suas fontes, daria mais credibilidade ao comunicado do CNT. A vazia reacção do CNT privilegiou ataques a órgãos de comunicação social e a CPLP, aumentando assim as suspeitas sobre a eventualidade de ter ocorrido alguma movimentação estranha no Hotel.
Sabino Santos/Agências



