quarta-feira, abril 8, 2026
spot_img
HomeNotíciasSociedadeONG exige investigação independente à morte do ativista Vigário Balanta

ONG exige investigação independente à morte do ativista Vigário Balanta

A organização não-governamental Encontro Africano para a Defesa dos Direitos Humanos (RADDHO, na sigla francesa) manifestou hoje “profunda consternação” pela morte do ativista Vigário Balanta na Guiné-Bissau, e exigiu uma “investigação independente”.

A 31 de março, Vigário Luis Balanta, coordenador do movimento “Po di Terra”, foi encontrado morto nos arrozais de Ndam Lero, perto da capital Bissau.

Em comunicado, a RADDHO, com sede em Dakar, manifestou “a sua profunda consternação e indignação pela morte trágica deste defensor dos direitos humanos, cujo corpo sem vida foi encontrado em circunstâncias particularmente alarmantes”.

“De acordo com informações recolhidas pela RADDHO, o Sr. Balanta foi raptado durante uma conferência de imprensa pública. Foi inicialmente levado para uma esquadra de polícia, (…) antes de o seu corpo ser encontrado sem vida”, refere no documento.

“Estes factos, a confirmarem-se, constituem um ato de extrema gravidade e podem configurar uma execução extrajudicial”, continua a RADDHO, condenando “nos termos mais veementes possíveis o rapto e assassinato” do ativista.

A organização exige que “as autoridades guineenses abram imediatamente uma investigação independente, transparente e imparcial para apurar as circunstâncias exatas da sua morte”.

A 02 de abril, centenas de pessoas reuniram-se espontaneamente na capital após o funeral para exigir justiça, antes de serem dispersadas pela polícia com bastões e gás lacrimogéneo, segundo a agência francesa France-Presse.

Num comunicado divulgado no mesmo dia, o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou estar “chocado” com a morte, que descreveu como um “assassinato brutal”.

“A ONU pediu às autoridades de facto da Guiné-Bissau que investiguem, urgentemente, o assassínio de forma imparcial e que levem os responsáveis à Justiça”, reclamou na nota, onde denunciava também que diversos membros da oposição e defensores dos direitos humanos estavam a ser “detidos arbitrariamente, atacados, assediados e intimidados”.

Agora a RADDHO junta a sua voz aos pedidos de investigação já exigidos pelo Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, bem como pelo partido da oposição moçambicano Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), que repudiaram o “brutal” assassínio do ativista político guineense, exigindo às autoridades da Guiné-Bissau uma investigação “célere, transparente e independente” para a responsabilização dos autores do crime.

A Guiné-Bissau está sob governo militar desde 26 de novembro, véspera do anúncio dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas, após a deposição do presidente cessante Umaro Sissoco Embaló e a suspensão do processo eleitoral.

 

RELATED ARTICLES
PUBLICIDADEspot_img

MAIS POPULARES

Recent Comments