Os restos mortais do líder do Movimento Revolucionário ‘Pó di Terra’, Luís Vigário Balanta, activista e docente encontrado morto nos arredores de Nhacra, no dia 31 de Março, foram sepultados hoje (2 de Abril) em Bissau. A cerimónia fúnebre decorreu num ambiente de muita revolta, contrastando com a consternação da família. Maioritariamente jovens, Vigário Balanta cfoi considerado de ‘Cabral de nova geração”, uma figura que veio para mostrar aos jovens de que “não devem conformar com aquilo que não está bem”.
Com palavras de ordem “Vigário não morreu” e um coro “nunca vai ser esquecido”, os membros do Movimento Pó de Terra que ele liderava, mostraram uma determinação em continuar a luta. Em determinados momentos consideravam que Vigário Balanta foi morto como matemático, químico e jurista. Num dos dísticos podia-se ler, ‘Luto pelo Povo’, porque Vigário deu a suas vida pela causas da juventude. “Hoje é Vigário”, quem será amanhã”, questionou um dos colegas, num improvisado discurso, que nem se sabia se era fúnebre ou de outra natureza. “Mataram um professor. Ele liderou Pó de Terra um Movimento criado para mudar a consciência. Queremos que o mundo saiba que um professor é que foi morto. Vigário é um ensinador que foi morto. Estamos determinados a mostrar ao mundo que, a ditadura não vai imperar neste país. Queremos provar ao mundo que a injustiça não vai governar este país”, dizia persistentemente o speacker da cerimónia. “Pensaram terem morto, mas acordaram a revolução”, disse no cemitério,. Para os colegas e demais que participaram na cerimónia, Vigário morreu como herói. “Morreu como Cabral e como Sankara”, dizia, acompanhado de palavras, viva revolução, viva juventude, abaixo ditadura. “Todos nós somos Vigário. Abaixo Ditadura”, era o slogan mais ouvido num cortejo onde não se podia sequer ver o carro fúnebre, em função dos jovens que estavam a frente. “Mataram Vigário e foram deitá-lo onde quiseram”, dizia, o speacker para mostrar que “a vítima não era bandido”. “Viva revolução”, rematou. Vigário Luís Balanta era líder de uma organização da sociedade civil guineense, constituída essencialmente por jovens que se posicionaram contra o golpe de Estado protagonizado por militares, em novembro passado, e que tem exigido a publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais realizadas no mesmo mês Novembro de 2025. O presidente do “Movimento Revolucionário Pó di Terra”, Vigario Luís Balanta, foi brutalmente espancado até à morte, o corpo do activista guineense foi abandonado nos arredores de Bolanhas de N’Dam, a cerca de 30 km da capital, Bissau.
Sabino Santos



