Os episódios que se repetem nas escolas e centros de formação não são casos isolados nem desvios de percurso. São o espelho fiel de um sistema podre: escolas entregues à própria sorte e direções que governam no improviso, mais próximas da arbitrariedade do que da legalidade. O que deveria ser espaço de ensino e de justiça administrativa converteu-se em palco de bandidagem institucionalizada.
Há hoje um modelo instalado de burla: alunos tratados como réus, sentenciados por quem deveria zelar por valores morais e éticos. Recursos transformados em extorsão, cobranças ilícitas, negócios obscuros, tudo isso virou rotina. E quando familiares cobram respostas, recebem apenas frases ocas de Conselhos Técnico-Pedagógicos, sem lei, sem norma, sem fundamento. Nem transparência, nem respeito. O vazio de quem decide porque pode, não porque deve.
O mais revoltante é que esse descalabro já não surpreende. A venda de notas, as aprovações negociadas, as reprovações forjadas naturalizaram-se. A vagueza virou procedimento, a parvoíce subiu ao estatuto de resposta oficial, e pelo caminho aberto avança a bandidagem de alto nível: documentos emitidos sem rasto, processos que começam e terminam ao sabor da conveniência da direção.
Temos escolas transformadas em mercados paralelos, onde tudo se negocia e nada se justifica. Sistemas científicos sufocados por analfabetos funcionais, mais empenhados em competições de mediocridade do que em qualquer ideia de superação. Enquanto o Ministério da Educação se mantiver ausente, continuará a premiar-se a irresponsabilidade e a punir-se o aluno que ainda acredita no sistema.
O que está em jogo não é uma nota ou um processo administrativo. É a dignidade da escola pública, sequestrada por direções que governam como gangues e tratam a lei como obstáculo descartável. Sem fiscalização efetiva e sem coragem política para cortar o mal pela raiz, restará apenas a certeza de que a escola pública morreu, e ninguém teve a decência de registrar o óbito.
Por: Mamandin Indjai – Professor / Jornalista/ Administrativista/ Diplomado em Educação para Paz e Cidadania