No passado dia 3 de Abril, os membros da Rede dos médias africanos para promoção de saúde, ambiente e direitos humanos tomaram parte num Webinaire destinado aos preparativos da One Health Summit 2026 previsto para Lyon, impõe-se com urgência uma questão: conseguirá África transformar a sua vulnerabilidade sanitária numa alavanca de influência estratégica no palco mundial?
É precisamente este desafio da soberania sanitária que dominou o webinar organizado a 3 de abril pela Galien Africa e pelo REMAPSEN. Reunindo especialistas e intervenientes do continente, o encontro lançou as bases para um posicionamento africano mais afirmado em torno do conceito «One Health».
Previsto para começar a 7 de abril em Lyon, o cimeira internacional pretende levar a abordagem «Uma só Saúde» do estágio dos compromissos para o dos atos concretos. Uma evolução considerada indispensável face à multiplicação das crises sanitárias, climáticas e ambientais que afetam particularmente África.
Para Awa Marie Coll Seck, presidente da Galien Africa, o desafio vai muito além do âmbito científico. Trata-se agora para o continente de fazer ouvir uma voz forte nas decisões globais: «Devemos ir para além das declarações, defender as nossas prioridades e transformar as nossas iniciativas em programas de larga escala», insistiu.
No centro das discussões: a necessidade de uma abordagem integrada que ligue a saúde humana, animal e ambiental. Uma visão promovida nomeadamente pela Organização Mundial da Saúde, que destaca a interdependência entre estas três dimensões para prevenir melhor as zoonoses, limitar a resistência aos antimicrobianos e antecipar os riscos relacionados com as alterações ambientais.
Mas para os participantes, a questão também é política. Com 18 ministros e quase 60 delegações esperadas na cimeira, África pretende chegar a Lyon com uma posição comum. Objetivo: influenciar mais nas orientações internacionais e defender soluções adaptadas às realidades locais, especialmente em matéria de sistemas integrados de saúde-ambiente-nutrição.
Para além do discurso, a mensagem é clara: o tempo de reflexão acabou. Face a crises cada vez mais complexas, os atores africanos querem agora impor uma dinâmica de ação, transformando o conceito «One Health» em políticas concretas e operacionais.
Neste contexto, a cimeira de Lyon surge menos como um simples encontro internacional e mais como um teste: o da capacidade do continente em afirmar-se como um ator incontornável da governação sanitária mundial.



