A partir desta quarta-feira, 1 de Abril de 2026, a China começa a aplicar tarifas alfandegárias zero a determinadas importações provenientes de países africanos, no âmbito do Acordo de Parceria Económica entre o governo da República Popular da China e a África, formalizado em 2024 durante o Fórum de Cooperação Económica China-África (FOCAC). Para a Guiné-Bissau, esta medida representa mais do que uma oportunidade comercial, pois, é um passo concreto, ou seja, o prelúdio, rumo à verdadeira independência económica.
Ao contrário de parcerias históricas que frequentemente mantiveram o continente africano numa relação de dependência estrutural, a China apresenta um modelo diferente, o do desenvolvimento partilhado.
Esta iniciativa do desenvolvimento partilhado, lançado pelo Presidente Xi Jinping em 2013, não impõe receitas ou condições políticas, nem condicionalismos ideológicos ou do modelo da democracia, mas sim, oferece acesso preferencial ao maior mercado de consumo do mundo. Além disso, a iniciativa de Tarifa Alfandegária Zero veio consubstanciar-se a transferência de tecnologia para o continente sem a velha vassalagem do que África é submetida até hoje.
Ora, a meu ver, a decisão de eliminar barreiras aduaneiras para produtos africanos que entram no mercado chinês, aprofunda a cooperação bilateral e constrói uma comunidade de alto nível com futuro partilhado. Também, lançam as bases para que África deixe de ser exportadora de matérias-primas e passe a integrar cadeias de valor globais, tal como aconteceram com os países chamados “Tigres Asiáticos”.
É possível avançar a África, basta acabar com importação da democracia e, dos outros valores. Neste caso, a transferência de tecnologia seria o caminho mais seguro para a África, aliás, a transferência da tecnologia chinesa para vários países africanos nos últimos anos, nomeadamente: para a Etiópia, Uganda, Tanzânia, entre outros demonstram que é possível industrializar o continente sem repetir os erros do passados, ou seja, cooperação de dependência eterna, induzido pelo pseudo democracia.
É urgente que África rompa com o modelo de parcerias e cooperação baseada na imposição de visões, que alimenta à sua pobreza crónica. O que precisamos, lealdade política, servir os nossos, sermos patriotas e respeitadores das leis, ou seja das regras estabelecidas. Acima de tudo, a África precisa desbravar o seu próprio caminho, alicerçado nos seus valores sociais e na sua civilização, como propõem os chineses, “cada povo estabeleça o seu modelo próprio da democracia compatível com os valores universais”.
Daí que, subscrevo o modelo do comunismo com características chinesas, induziu resultados visíveis nos domínios das infraestruturas, modernização, tecnologia, responde assim, a necessidade do povo chinês.
Ora, sobre “Tarifa Alfandegária Zero” no caso concreto da Guiné-Bissau, é urgente que a classe empresarial guineense e o governo definam uma estratégia clara de exportação para a China. O país dispõe de enormes potencialidades, designadamente: castanha de caju, frutos tropicais, pesca, artesanato, que podem gerar efeitos económicos imediatos na vida da população. Sem essa visão estratégica, essas oportunidades concedida pela China perdem-se.
A verdadeira independência se conquista em vários domínios, sobretudo económico, político, cultural. E, também conquista-se com desenvolvimento endógeno, financiamento justo e acesso a mercados.
A China, com as suas isenções tarifárias e cooperação tecnológica, oferece uma ponte de salvação. Resta a África e à Guiné-Bissau em particular querer atravessá-la.
——–
Por: Bacar Camará, Jornalista&Docente



