Um grupo de altos dirigentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) acusou este sábado (07.03) a direção dos “libertadores”, de ter adotado uma política de “segregação” e de “expulsão” dos militantes.
A acusação foi feita em conferência de imprensa, realizada num dos hotéis de Bissau, na qual tomaram parte várias figuras do PAIGC, integrantes do atual governo de transição.
O primeiro a intervir foi Carlos Pinto Pereira (Caía), que, antes de lançar acusações à direção liderada por Domingos Simões Pereira, fez o apelo ao diálogo no seio do Partido, convidando os veteranos do mesmo a assumirem as rédeas daquilo que chamou de “Plataforma de Diálogo e Reconciliação”, para tornar o PAIGC mais unido.
No entanto, “Caía” acusa a direção do PAIGC de apostar em soluções “desastrosas” que têm afastado altos dirigentes daquela formação política.
“PAIGC não pode continuar a ser enfraquecido com políticas de segregação, de expulsão e de afastamento de militantes ou dirigentes. Esta não é a política, e para um partido esta não é a solução”, afirmou o também ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, no governo de transição.
Carlos Pinto Pereira exige que o congresso do PAIGC, que deverá ter lugar em novembro próximo, seja realizado “o mais rápido possível”, para evitar eventuais riscos de o Partido vir a ficar de fora das eleições marcadas para dezembro deste ano.
Quem também usou de palavras foi João Bernardo Vieira, dirigente e ex-porta-voz do PAIGC. Na sua comunicação, Vieira deixou um recado à direção de Domingos Simões Pereira.
“O nosso compromisso não é com pessoas, mas sim com os princípios e valores do PAIGC. Não vamos deixar que o PAIGC morra e vamos lutar para a renovação de órgãos do Partido”, alertou.
João Bernardo Vieira acusa ainda a direção do seu partido, de falta de capacidade para conservar e consolidar o poder que conquista nas sucessivas eleições.
“Não estamos na Dinamarca, na Noruega ou Suécia. Estamos na Guiné-Bissau e em África. E tem de se saber como consolidar o poder. Como pode conservar o poder em África, se entra em conflito com 75% das entidades capazes de lhe ajudar a conservar o poder?”, questionou o também ministro dos Negócios Estrangeiros do atual governo de transição.
Por CFM



